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ONU marca o Dia Humanitário lutando contra sua pior crise de refugiados

 Por Thalif Deen

NAÇÕES UNIDAS (IPS) - A Organização das Nações Unidas está comemorando o Dia Mundial Humanitário com "inspiradoras" histórias de interesse humano sobre sobrevivência – ainda que o organismo mundial descreva a atual crise de refugiados como a pior em quase um quarto de século.

Espera-se que a campanha, principalmente no Facebook, Twitter e Instagram, inunde a mídia social com histórias de resistência e esperança ao redor do mundo, juntamente com um concerto musical em Nova York.

"É verdade que vivemos um momento na história em que nunca houve uma maior necessidade de ajuda humanitária desde que a ONU foi fundada", diz o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric.

"E todos os dias, eu falo sobre as pessoas e eu uso números, e os números são estonteantes, certo – 10 mil, 50 mil", lamenta.

Mas, na medida em que as estatísticas da ONU são reveladas, os números são ainda mais alarmantes do que parecem à primeira vista: mais de 4 milhões de sírios estão agora refugiados nos países vizinhos, incluindo a Turquia, Iraque e Líbano (sem incluir as centenas de pessoas que estão morrendo no meio do oceano a cada semana, tentando chegar à Europa e escapar dos horrores da guerra em casa).

E, mais preocupante, pelo menos um adicional de 7,6 milhões de pessoas foram deslocadas dentro da Síria - todas elas precisam de assistência humanitária e mais de 220 mil foram mortas em um conflito militar agora em seu quinto ano.

O Coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Stephen O'Brien, disse que "com quase 60 milhões de pessoas deslocadas à força em todo o mundo, enfrentamos uma crise em uma escala não vista em gerações."

No início de agosto, O'Brien decidiu liberar cerca de 70 milhões de dólares de um fundo de reserva da ONU chamado Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF) - principalmente para operações de ajuda cronicamente subfinanciadas.

Além da Síria, Afeganistão e Iêmen, a crise humanitária também impactou fortemente o Sudão, Sudão do Sul, o chifre da África, Chade, República Centro-Africana, Myanmar e Bangladesh, entre outros.

Noah Gottschalk, Assessor Sênior de Política de Resposta Humanitária da Oxfam Internacional, disse à IPS que o sistema humanitário internacional criado décadas atrás salvou inúmeras vidas, mas hoje o sistema humanitário está "sobrecarregado e subfinanciado" em um momento em que se projeta que os desastres naturais irão aumentar tanto em frequência como em gravidade, ao mesmo tempo em que o mundo tem de responder a crises prolongadas sem precedentes, como o conflito na Síria.

"Alguns doadores têm sido muito generosos e seu apoio é crucial e profundamente valorizado, mas simplesmente não é suficiente para satisfazer as necessidades crescentes", ele disse.

As Nações Unidas e o sistema humanitário mais amplo, ressaltou ele, precisam ser reformados para serem mais eficientes e responderem melhor às necessidades, apoiando lideranças e capacidades locais e financiando programas que ajudem as comunidades a reduzir o impacto de desastres antes que as emergências ocorram.

Enquanto isso, a campanha de mídia social ShareHumanity, atualmente em andamento, espera impulsionar a primeira Cúpula Mundial de Ajuda Humanitária, agendada para acontecer em Istambul, em maio próximo.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), a campanha do Dia Mundial Humanitário deste ano, que começa 19 de agosto, reflete um mundo onde as necessidades humanitárias estão superando de longe a capacidade da comunidade de ajudar milhões de pessoas afetadas por desastres naturais, conflitos, fome e doenças.

Gottschalk da Oxfam, disse à IPS que o Dia Mundial Humanitário é uma oportunidade importante para honrar os corajosos homens e mulheres que trabalham incansavelmente ao redor do mundo todos os dias para salvar vidas, em circunstâncias incrivelmente difíceis.

Ele disse que os trabalhadores humanitários locais são muitas vezes os primeiros a responder quando surge uma crise, e raramente obtêm o reconhecimento e, mais importante, o apoio que merecem para liderar as respostas em seus próprios países.

A Oxfam tem dado um forte impulso para contribuições obrigatórias dos Estados-Membros das Nações Unidas a fim de financiar respostas humanitárias, o que, segundo diz, irá proporcionar um fluxo de financiamento mais consistente e robusto.

Uma parte maior desse financiamento deve fluir diretamente para o nível local, e ser alocada de uma forma mais transparente para que os doadores possam acompanhar o impacto e as comunidades locais possam monitorar a ajuda e responsabilizar os seus líderes e exigir resultados, ele observou.

Gottschalk disse que milhões de pessoas ao redor do mundo dependem do sistema humanitário global, e isso é em grande parte devido às pessoas comprometidas e compassivas que estão lutando para fazer o sistema funcionar, apesar do declínio dos recursos e do aumento das necessidades.

Estas reformas tornarão o sistema mais eficaz e equiparão melhor esses humanitários dedicados para que salvem vidas e aliviem o sofrimento, ele declarou.

Os conflitos militares em curso também custam a vida de centenas de trabalhadores da saúde, diz a Organização Mundial de Saúde (OMS), em Genebra.

Só em 2014, a OMS disse que recebeu relatos de 372 ataques em 32 países contra os trabalhadores da saúde, resultando em 603 mortes e 958 feridos, enquanto incidentes semelhantes foram registrados este ano.

"A OMS está empenhada em salvar vidas e reduzir o sofrimento em tempos de crise. Os ataques contra os profissionais da saúde e as instalações são flagrantes violações do direito internacional humanitário", disse a Dra. Margaret Chan, Diretora Geral da OMS, em um comunicado divulgado para marcar o Dia Mundial Humanitário.

Ela disse que os trabalhadores da saúde têm a obrigação de tratar os doentes e feridos sem discriminação. "Todas as partes em conflito devem respeitar esta obrigação", declarou ela. (IPS | 18 de agosto de 2015)